terça-feira, 1 de setembro de 2009

ENEM - AULA 03 - GEOGRAFIA - TEXTOS - GRÁFICOS - CHARGES - Profª GISELE







QUESTÕES SOCIAIS Urbanização
O MUNDO SUPERLOTADO
Congestionamentos monstruosos são um dos sinais do crescimento desordenado das cidades

Os recordes sucedem-se, de forma implacável. Fim da tarde de 24 de janeiro de 2008: a cidade de São Paulo tem 182 quilómetros de conges-tionamento - 30 quilómetros a mais que o recorde anterior, registrado dez dias antes. 11 de março, 8h30:183 quilómetros de carros entopem as principais vias da cidade. 10 de maio, 19h30: paulistanos enfrentam 266 quilómetros de trânsito parado. Motoristas e passageiros cada vez mais tempo presos nos carros, irritados, atrasados, perdendo compromissos.
Estima-se que os engarrafamentos cau¬sem prejuízos da ordem de 52 bilhões de reais a cada ano - o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto da cidade com o desperdício de combustível, o desgaste de peças dos automóveis e, principalmen¬te, o consumo de horas que deveriam ser destinadas ao trabalho e produção. Transporte público ineficiente e falta de investimento estão na raiz do problema, mas o fato é que São Paulo tem carros demais porque tem gente demais vivendo e trabalhando na cidade.
Segundo o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran), a frota de automóveis, motos, ônibus e caminhões licenciados na capital atingiu, no fim de fevereiro, a marca de 6 milhões. Estima-se que, nos horários de pico, 4 milhões de pes¬soas circulem - ou tentam circular - pelas ruas paulistanas. O número cje motoristas também cresce vertiginosamente: o Detran emite, a cada ano, 100 mil carteiras de ha¬bilitação, só na capital.
Engenheiros de trânsito e urbanistas calculam que, se nada for feito, São Paulo travará em cinco anos. Embora em escala menor, outras capitais, como Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, também vivem um nó górdio no trânsito. Esse é só um dos problemas causados pelo crescimento acele¬rado e desordenado das cidades brasileiras, que incham ano após ano.

Urbanização à brasileira
Entenda-se bem: urbanização não é sinônimo de crescimento das cidades. O termo descreve o aumento da proporção da população que mora nas cidades em relação à parcela que vive em zonas rurais. Em algumas (relativamente raras) cir¬cunstâncias, a urbanização de uma região pode ocorrer sem que haja crescimento real nas cidades - por exemplo, no caso de uma epidemia que provoque grande mortandade no campo. Mas não é isso o que ocorre normalmente. No geral, a desproporção é causada pelo êxodo rural - as pessoas deixam o campo em busca de melhores condições de vida na cidade.
Como regra, a urbanização é efeito dire-to da industrialização de uma sociedade. No Brasil, os dois fenómenos dão uma gui-nada efetiva a partir de meados do século XX. Até o Censo de 1940, apenas um terço dos brasileiros vivia nas cidades. Nas dé¬cadas seguintes, o crescimento industrial e a integração do território nacional por meio das rodovias e das telecomunicações transferem cada vez mais moradores dos campos para as cidades. Nos anos 1980, todas as regiões brasileiras já possuíam a maioria dos habitantes em centros ur-banos. Hoje, o país está entre as nações mais urbanizadas do mundo.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geo¬grafia e Estatística (IBGE), do total de 55 milhões de domicílios existentes no país, 84,7% estão em zonas urbanas. Esses domi¬cílios reúnem 83,3% da população brasileira A região mais urbanizada é a Sudeste, par¬ticularmente os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesses estados se encontram duas das maiores regiões metropolitanas do planeta. São Paulo, com 18,8 milhões de habitantes, ocupa a quinta posição no ranking mundial da Organização das Nações Unidas (ONU). Ali se encontra mais de 10% da população do país, que é responsável por 25% do Produto Interno Bruto nacional. O Rio de Janeiro, a segunda metrópole brasi¬leira, com 11,7 milhões de habitantes, ocupa a 14a posição mundial.


A população f avelada cresce num ritmo quatro vezes superior ao do resto da população brasileira

Regiões metropolitanas
Efeito direto da urbanização, as regiões metropolitanas são criadas pela expansão da periferia, que leva à junção de municípios numa única mancha urbana O Brasil tem 31
regiões metropolitanas, que reúnem mais de um terço dos domicílios urbanos e 30% da população do país. A taxa de crescimento dessas regiões é muito superior à das demais
áreas: 2,01% entre 1991 e 2000, contra 1,38% nas regiões não-metropolitanas. Não é difícil entender por que tanta gente quer morar nas cidades. Em tese, os centros urbanos oferecem maiores oportunidades
de trabalho e renda, maior riqueza cultural e
melhor qualidade de vida. Acontece que a urbanização brasileira é marcada por desigualdades socioeconômicas - e existe muita miséria nos centros urbanos. Quanto
mais baixa a renda mensal por morador da casa, menor é o percentual de casas com saneamento básico: 81,9% dos domicílios
com renda per capita acima de cinco salá¬rios mínimos contam com todos os serviços de saneamento, mas, em lares com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, essa
porcentagem é de 40%. O déficit habitacional é outro problema causado pela urbanização acelerada. Ao crescerem sem planejamento, as cidades não têm como ofertar moradia a todos os que nela chegam. Segundo o Ministério das Cidades, o Brasil precisa de 7,2 milhões de novas habitações. Quase 40% dessa de-manda está concentrada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Como conseqüência dessa carência surgem os assentamentos irregulares, os loteamentos clandestinos, o crescimento




das favelas e a ocupação de espaços pú¬blicos, como praças, viadutos e margens de rios - o que também leva ao aumento da poluição. Segundo o IBGE, na última década a população das favelas cresceu num ritmo quatro vezes superior ao do resto da população. A Fundação Getulio Vargas prevê que a população favelada deverá mais do que dobrar em dez anos, atingindo 13,5 milhões de pessoas.
Critérios diferentes
Existem diversas maneiras de contar a população urbana e rural de um país. O critério usado pelo IBGE considera zona urbana toda sede de município e distrito, não importando o tamanho da população nem a densidade demográfica local. Já a Organização para a Cooperação e o Desen¬volvimento (OCDE), órgão que coordena políticas sociais dos 30 países mais ricos do mundo, um núcleo de habitantes só é considerado zona urbana se 85% dessa população viver numa área
com densidade demográfica superior a 150 habitantes por quilometro quadrado. Ou seja, enquanto a OCDE adota um critério puramente demográfico, a contagem no Brasil leva em conta aspectos administrativos.
O sistema brasileiro produz algumas distorções. Um relatório divulgado em 2006 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostrou que ape¬nas 0,25% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro é efetiva-mente urbanizado - uma área equivalente à do estado de Sergipe. Ou seja, o Brasil é mais rural do que se afirma. É importante notar que cabe às prefeituras definir ofi¬cialmente as áreas urbanas ou rurais. Como os impostos dos imóveis urbanos são mais altos, é comum a prática de inchar as áreas urbanas para ampliar a arrecadação.
Planeta apertado
A urbanização acelerada não é
prerro¬gativa apenas do Brasil. No
planeta todo a população concentra-se cada vez mais nas cidades. Desde que surgiram os primeiros centros urbanos, há cerca de 6 mil anos, na Mesopotâmia (atual Iraque), no decorrer da maior parte da história as cidades foram pe¬quenos e animados aglomerados de pessoas que se dedicavam a ofícios e ao comércio, cercadas por uma grande população rural. Até meados do século XIX, a população mundial que vivia em cidades jamais exce¬dera 7%. O quadro começou a mudar com a Revolução Industrial, no século XIX. Os avanços tecnológicos levaram ao desenvolvimento da indústria, que por sua vez passou a atrair cada vez mais gente para as cidades. Em 2008, um recorde: pela primeira vez na história, a maior parte da população mundial vive em centros urbanos.
































Segundo a ONU, a taxa de crescimento das populações urbanas está caindo. Entre 1950 e 2007, a média anual ficou em 2,6%. As projeções indicam que entre 2007 e 2025 a taxa deve cair para 1,8% ao ano e para 1,3% até 2050. Ainda assim, até meados do século XXI, as cidades passarão dos atuais 3,3 bilhões de moradores para 6,4 bilhões. Por volta de 2050, pelos menos 70% da po-pulação mundial deverá viver nos centros urbanos (algumas projeções apontam 80%). Praticamente todo o crescimento popu-lacional mundial deve se concentrar nas cidades - principalmente nas regiões menos desenvolvidas. No Brasil, da população total de 254 milhões de habitantes projetada para 2050,93,6% estarão nas cidades.
Não é por falta de espaço que as cidades deixarão de crescer. Segundo um estudo da Universidade Columbia, nos EUA, as áreas urbanas só ocupam 3% das terras do planeta. Isso não significa que todas as cidades cresçam sempre no mesmo ritmo. São Paulo, por exemplo, deverá ter subido duas posições no rankingdas maiores me-trópoles até 2010






Mas deve voltar ao quinto lugar em 2025, com 21,4 milhões de habitantes, ultrapassada por cidades de regiões menos desenvolvi¬das, cujo crescimento urbano ocorre mais rapidamente (Nova Délhi, na índia, e Daca, em Bangladesh). O Rio de Janeiro deve cair: passará da atual 14a colocação para a 16a em 2015. Dez anos depois, deverá estar em 18° lugar, com 13,4 milhões de habitantes.
Em termos globais, os especialistas consideram que a urbanização constitui mais um fator de risco ao desenvolvi¬mento sustentável do planeta - ao lado da crise de energia e do aquecimento global. Se a tendência apontada pela ONU para os próximos 40 anos se con-firmar - ou seja, se a população urbana realmente dobrar até a metade deste século e se a área das cidades crescer na mesma proporção -, a produção agrí-cola pode sofrer grande impacto. E que, tradicionalmente, as maiores cidades foram assentadas sobre terras férteis. Considerando-se que, no máximo, 15% da superfície do planeta seja constituída de terras aráveis, se as cidades também dobrarem de tamanho, passando a ocu-par não mais 3%, mas 6% das terras, a urbanização promete ter forte impacto negativo sobre a produção agrícola.


























































Resumo
Urbanização
DEFINIÇÃO Urbanização é o crescimen-toda proporção entre a populaçãoque vive em cidades em comparação com os habitantes de zonas rurais.
BRASIL A urbanização começa, efeti-vamente, em meados do século XX, com o desenvolvimento industrial e a integração do país por rodovias e telecomunicações. Pelo Censo de 1940, apenas um terço dos brasileiros vivia nas cidades. Hoje, o Brasil está entre os países mais urbanizados do planeta, com mais de 83% da população vivendo nas cidades.
CRITÉRIOS Há diferentes critérios para avaliar a urbanização. O Brasil considera toda sede de município ou distrito como área urbana. Já, por exemplo, os países europeus adotam um critério puramen-te demográfico: consideram uma área urbana quando85%da população vive em zonas com mais de 150 habitantes por quilómetro quad ado.
MUNDO Em 2008, pela primeira vez na história, mais de metade da população mundial vive em cidades. A urbanização é mais acelerada nos países em desenvol-vimento ou pouco desenvolvidos. Segun¬do a ONU, em 2050,70% da população mundial viverá em centros urbanos.
MEGALÓPOLES São aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes, segundo a ONU. São Paulo é a quinta maior metrópole do mundo. As megalópoles crescem mais rápido nos países em desenvolvimento, como (ndia, China e Bangladesh.
INCHAÇO A urbanização pode pro-vocar o fenómeno conhecido como inchaço urbano, em que um grande contingente populacional vem para uma cidade sem infra-estrutura para abrigartodo mundo. Issoacaba geran¬do cidades com déficit habitacional (sem moradia para todos), com falta de escolas, hospitais e transporte pre-cário-os grandes congestionamentos exemplificam isso.

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