domingo, 16 de agosto de 2009

ENEM - LITERATURA - "A Literatura e o novo ENEM" - Profª. Fátima

A LITERATURA NO NOVO ENEM.
Professora Maria de Fátima
O “NOVO ENEM” dividiu o exame em cinco grandes áreas do conhecimento.Português recebeu o nome de Linguagens , códigos e tecnologia, que neste ano abrangerá somente língua português com 45 questões e,a partir de 2010, incluirá Inglês na mesma área de conhecimento. A profundidade dos conteúdos cobrados, segundo o MEC, será maior que nos anos anteriores.
A Literatura e a Gramática serão ferramentas imprescindíveis nas questões intertextuais e também nas interdisciplinares.A fim de que seu estudo seja mais produtivo, seguem algumas informações sobre os movimentos literários. Lembrem-se de que o estudo não se esgotará nessas aulas, tendo o aluno a liberdade de pesquisar outros olhares , levá-los à sala de aula e enriquecer nossos estudos.
TROVADORISMO— MOMENTO HISTÓRICO
• Momento final da Idade Média na Península Ibérica, onde a cultura apresenta a religiosidade como elemento marcante.
• A vida do homem medieval é totalmente norteada pelos valores religiosos e para a salvação da alma. O maior temor humano era a idéia do inferno que torna o ser medieval submisso à Igreja e seus representantes.
• São comuns procissões, romarias, construção de templos religiosos, missas etc. A arte reflete, então, esse sentimento religioso em que tudo gira em torno de Deus. Por isso, essa época é chamada de Teocêntrica.
• As relações sociais estão baseadas também na submissão aos senhores feudais. Estes eram os detentores da posse da terra, habitavam castelos e exerciam o poder absoluto sobre seus servos ou vassalos. Há bastante distanciamento entre as classes sociais, marcando bem a superioridade de uma sobre a outra.
O marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirós, provavelmente em 1198, intitulada Cantiga da Ribeirinha.
CARACTERÍSTICAS:
• poesia desta época compõe-se basicamente de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos (alaúde, flauta, viola, gaita etc.). Quem escrevia e cantava essas poesias musicadas eram os jograis e os trovadores. Estes últimos deram origem ao nome deste estilo de época português.
• Mais tarde, as cantigas foram compiladas em Cancioneiros. Os mais importantes Cancioneiros desta época são o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.
• As cantigas eram cantadas no idioma galego-português e dividem-se em dois tipos: líricas (de amor e de amigo) e satíricas (de escárnio e mal-dizer).
• Do ponto de vista literário, as cantigas líricas apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lírica portuguesa e até brasileira. Já as cantigas satíricas, geralmente, tratavam de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.

Cantigas líricas:
• Cantigas de amor
• Origem da Provença, região da França, trazidas através dos eventos religiosos e contatos entre as cortes. Tratam, geralmente, de um relacionamento amoroso, em que o trovador canta seu amor a uma dama, normalmente de posição social superior, inatingível. Refletindo a relação social de servidão, o trovador roga a dama que aceite sua dedicação e submissão.
• Eu-lírico – masculino
• Palavra s-chave : Senhor , coita (sofrimento).
• Sem paralelismo.
• Cantigas de amigo
• Neste tipo de texto, quem fala é a mulher e não o homem. O trovador compõe a cantiga, mas o ponto de vista é feminino, mostrando o outro lado do relacionamento amoroso - o sofrimento da mulher à espera do namorado (chamado "amigo"), a dor do amor não correspondido, as saudades, os ciúmes, as confissões da mulher a suas amigas, etc. Os elementos da natureza estão sempre presentes, além de pessoas do ambiente familiar, evidenciando o caráter popular da cantiga de amigo.
• Eu-lírico – feminino
• Muito paralelismo
• Palavra –chave: amigo
• Diálogo entre o eu-lírico e um interlocutor que poderia ser uma amiga, a mãe ou a própria natureza.
• Uso do paralelismo (repetição do mesmo verso ao final de cada estrofe).

Cantigas satíricas:
• Aqui os trovadores preocupavam-se em denunciar os falsos valores morais vigentes, atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.
• Cantigas de escárnio - crítica indireta e irônica
• Cantigas de maldizer - crítica direta e mais grosseira,muitas vezes com uso de vocabulário chulo e obsceno.
• A prosa medieval retrata com mais detalhes o ambiente histórico-social desta época. A temática das novelas medievais está ligada à vida dos cavaleiros medievais e também à religião.
• A Demanda do Santo Graal é a novela mais importante para a literatura portuguesa. Ela retrata as aventuras dos cavaleiros do Rei Artur em busca do cálice sagrado (Santo Graal). Este cálice conteria o sangue recolhido por José de Arimatéia, quando Cristo estava crucificado. Esta busca (demanda) é repleta de simbolismo religioso, e o valoroso cavaleiro Galaaz consegue o cálice.
HUMANISMO— TEATRO DE GIL VICENTE
• O Humanismo é um termo relativo ao Renascimento, movimento surgido na Europa, mais precisamente na Itália, que colocava o homem como o centro de todas as coisas existentes no universo.

Nesse período, compreendido entre a transitoriedade da Baixa Idade Média e início da Moderna (séculos XIV a XVI), os avanços científicos começavam a tomar espaço no meio cultural.

A tecnologia começava a se aflorar nos campos da matemática, física, medicina. Nomes como Galileu, Paracelso, Gutenberg, dentre outros, começavam a se despontar, em razão das descobertas feitas por eles.

Galileu Galilei comprova a teoria heliocêntrica que dizia ser o Sol o centro do sistema planetário, defendida anteriormente por Nicolau Copérnico, além de inventar o telescópio. Paracelso explora as drogas medicinais e seu uso, enquanto Gutenberg descobre um novo meio de reproduzir livros.

Além disso, a filosofia se desponta como uma atividade intelectual renovada no interesse pelos autores da Antiguidade clássica: Aristótoles, Virgílio, Cícero e Horácio. Por este resgate da Idade Média, este período também é chamado de Classicismo.

A burguesia e a nobreza, classes sociais que despontam no final da Idade Média, passam a dividir o poderio com a Igreja.
• A língua portuguesa firma-se como língua independente. Lembre-se de que nos séculos anteriores falava-se o galego-português.
• 2) A língua literária escrita desenvolve-se, diferenciando-se da língua falada.
• 3) A prosa floresce, enquanto a poesia entra em declínio.
• 4) A corte torna-se o principal centro de produção cultural e literária graças ao fortalecimento da casa real.
• 5) Declínio das características medievais e prenúncio do Renascimento. Abandono progressivo da mentalidade teocêntrica.
• Características do Humanismo
• 1) Florescimento da prosa; declínio da poesia.
• b) Manifestações literárias:
• Poesia palaciana
• Prosa doutrinária
• Historiografia
• Teatro de Gil Vicente
O TEATRO VICENTINO
• Gil Vicente
• Com uma biografia das mais controvertidas, poucos fatos são tidos como certos na vida de Gil Vicente. Nascido por volta de 1465. Aproveitou-se do prestígio que a função de organizador das festas da corte lhe conferia para, em 1502, encenar sua primeira peça, o Monólogo do vaqueiro ou Auto da visitação, na câmara da rainha D. Maria, em comemoração ao nascimento de D. João III. Durante trinta e quatro anos Gil Vicente fez representar dezenas de peças. Em 1562, seu filho, Luís Vicente, publicou a Compilação de toda as obras de Gil Vicente.
Apesar dos elementos ideológicos inovadores que suas sátiras sociais contêm, Gil Vicente não se deixou influenciar pelas novidades estéticas introduzidas pelo Renascimento. Sua obra é a síntese das tradições medievais e popular.
• Vale então fazer uma breve análise da obra de Gil Vicente à luz da estética do teatro popular medieval.
• Teatro alegórico: apresentação de idéias abstratas com personagens, situações e coisas concretas. O Auto da Barca do Inferno, por exemplo, é uma peça alegórica. O cais e as barcas são a alegoria da morte; a barca do inferno é alegoria da condenação da alma; a barca do céu, a da salvação.
• Teatro de tipos: as personagens de Gil Vicente são sempre típicas, isto é, não são indivíduos singulares nem possuem traços psicológicos complexos; pelo contrário, apenas reúnem os caracteres mais marcantes de sua classe social, de sua profissão, de seu sexo, de sua idade.
• Teatro de quadros: em geral, as peças de Gil Vicente desenvolvem-se por uma sucessão de cenas relativamente independentes, sem formar propriamente um enredo, uma história que, depois de apresentada, se complica até um ponto culminante e um desfecho.
CLASSICISMO
• O classicismo português desenvolveu-se durante o século XVI. É, portanto o movimento literário de intensa transformação social e cultural representada pelo Renascimento. Caracterizado por intensa produção literária, desenvolvimento da poesia, tanto lírica como épica. A prosa também apresenta muitos textos, narrativas de ficção e histográficas e principalmente a “literatura de viagens”, ligada aos descobrimentos marítimos
A consciência o homem como ser universal e também a consciência de nação.

As grandes descobertas e a euforia da riqueza e do luxo são suplantadas pelo desencanto do desmoronamento na Europa. O primeiro momento do Renascimento é de euforia e o segundo é de desencanto, decadência.
• . Imitação dos autores clássicos gregos e romanos da antigüidade, como Homero, Virgílio, Ovídio, etc., valorizando, além do soneto, as epopéias.
• Observe a semelhança entre os primeiros versos de
• 2. Uso da mitologia
• Os deuses e as musas, inspiradores dos clássicos gregos e latinos, aparecem também nos clássicos renascentistas.
• Por exemplo, em Os Lusíadas, Vênus (a deusa do amor) e Marte (o deus da guerra) protegem os portugueses nas suas conquistas marítimas, ao passo que Baco (o deus do vinho) tenta atrapalhá- las e destruí-Ias.
• 3. Predomínio da razão sobre os sentimentos
• A linguagem clássica não é subjetiva nem impregnada de sentimentalismo e de figuras, porque procura filtrar, através da razão, todos os dados fornecidos pela natureza e, desta forma, expressar verdades universais.
• 4. Uso de uma linguagem sóbria, simples, sem excessos de figuras literárias.
• 5. Idealismo: busca da perfeição estética, da pureza das formas e dos ideais de beleza.
• Os clássicos abordam como tema o homem ideal, liberto de suas necessidades diárias, comuns. Os personagens centrais das epopéias são apresentados como seres superiores verdadeiros semideuses, sem defeitos.
• 6. Amor platônico
• Os poetas clássicos revivem a idéia de PIatão de que o amor deve ser sublime, elevado, espiritual, puro, não-físico.
• Amor é brando, é doce, é piedoso; Quem o contrário diz não seja crido. (Camões).
• 7. Busca da universalidade e impessoalidade
• A obra clássica torna-se a expressão de verdades universais, eternas, e despreza o particular, o individual, aquilo que é relativo.
LUÍS VAZ DE CAMÕES
• Luís Vaz de Camões(1524 ? - 1580) é, sem dúvida, a maior figura do período clássico.
• Camões teve uma vida bastante conturbada. Combateu como soldado na África, onde perdeu o olho direito. Retornou então a Portugal e, após envolver-se numa disputa, foi preso, só conseguindo perdão ao concordar em ir para a Índia, novamente como soldado. Esteve em Goa, seguindo depois para Macau - aí exercendo a função de provedor dos defuntos e ausentes. Voltando a Goa, seu navio naufraga, mas ele consegue salvar-se. Ao finalmente regressar a Portugal, publica, em 1572 Os Lusíadas. Alguns anos depois, morreu na miséria.
• Camões foi poeta lírico, dramático e épico.
• Como poeta lírico, escreveu cerca de 300 sonetos de notável valor artístico - todos humanos, profundos, elegantes.
• Como dramático, produziu três autos: Anfitriões, Seleuco, Filodemo.
• Como épico, Camões escreveu a obra-prima da língua portuguesa: Os Lusíadas.
• A lírica camoniana
• A obra lírica de Camões foi publicada postumamente, em 1595, sob o título Rimas. Medida velha : versos redondilhos maiores (sete sílabas) e menores (cinco sílabas)
• Media nova : versos decassílabos
Como Sá de Miranda, Camões também cultivou as duas tendências presentes do século XVI: a forma poética tradicional, chamado então de medida velha (versos rendondilhos maiores e menores) e a tendência trazida da Itália, a medida nova (versos decassílabos heróicos e sáficos) e o soneto. Sua obra pode ser considerada uma síntese entre a tradição portuguesa e as inovações renascentistas.
• Em suas rendondilhas, Camões dá continuidade à poesia medieval.Com ele, a tradição poética eleva-se a um nível nunca alcançado pelos autores do Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende.

• No épico Camões escreveu a obra : Os lusíadas
• A epopéia Os lusíadas é composta de 10 cantos, 1.102 estrofes, num total de 8.816 versos. As estrofes de 8 versos decassílabos obedecem à rima do esquema : abababcc.
• O poema Os Lusíadas segue os padrões clássicos da antigüidade e apresenta as seguintes partes:
• 1. Proposição ou introdução: o poeta apresenta, em rápidas pinceladas, o assunto do poema: propõe-se a cantar os feitos de ilustres portugueses.
• 2. Invocação: à maneira dos antigos clássicos, que pediam auxílio aos deuses, Camões invoca as Tágides, musas que habitavam o Tejo, para que o auxiliem a cantar condignamente os feitos lusos.
• 3. Dedicação ou oferecimento: o poeta oferece seu poema ao rei de Portugal, Dom Sebastião.
• 4. Narração: relata a viagem de Vasco da Gama às Índias, em meio a peripécias de todo o tipo. No transcorrer desse relato, Camões introduz episódios importantes da História de Portugal.
• 5. Epílogo: Camões apresenta nesta parte um quadro negativo, ou seja, a pátria em ruínas e a miséria do povo

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