domingo, 16 de agosto de 2009

ENEM -Leitura e Interpretação de Textos - REDAÇÃO - Profª. Heliana

TEXTOS PARA LEITURA E INTERPRETAÇÃO- ENEM- (Heliana)

Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através de parágrafos que é composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto.
Podemos desenvolver um parágrafo de várias formas:

• Declaração inicial;
• Definição;
• Divisão;
• Alusão histórica.

Serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista os diversos enfoques. Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da margem esquerda.
Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira clara e resumida.
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do texto.
Por que, às vezes ler, parece algo tão difícil? Provavelmente porque existem diferentes maneiras de “ler”, ou se preferimos, diferentes níveis de leitura. O mais elevado é aquele no qual, além de coletar informações, o “leitor” está simultaneamente considerando a validade de tais informações, comparando-as ao seu conjunto de referências específico, procurando argumentos ou outras informações para sustentar suas posições.
Vamos estabelecer, agora, alguns passos a serem dados todas as vezes que quisermos garantir um bom resultado durante a leitura de um texto.

IDENTIFICAR O TEMA DO TEXTO

Do que trata o texto lido? Qual seria seu foco principal (assunto em torno do qual as informações se organizam?) Se possível, é bom já verificar o grau de conhecimento que se tem sobre esse tema: alto (vai permitir avaliar o que é dito no texto a ser lido); médio (podem-se obter novas informações ainda ignoradas); baixo (será mais difícil julgar a qualidade das informações oferecidas no novo texto).

ELABORAR UMA SÍNTESE DO TEXTO

A elaboração da síntese exigirá que se faça uma seleção e uma organização dos elementos mais importantes. Será necessário estabelecer critérios de relevância (o que é mais importante? O que é menos importante?).

DEMONSTRAR CAPACIDADE PARA INTERPRETAR OS DADOS E FATOS APRESENTADOS.

O leitor precisa, agora, dar um passo que vai começar a viabilizar a construção de um sentido seu para o texto que está lendo. Esse passo deve constituir a resposta para uma pergunta: que sentido faz o que eu acabei de ler? Em outras palavras: consideradas todas as informações, qual é o sentido fundamental a que se chega?

TEXTO 1

Em recente entrevista na TV, uma conhecida e combativa juíza brasileira citou esta frase de Disraeli (escritor e político britânico do séculoXIX): “É preciso que os homens de bem tenham a audácia dos canalhas”. Para a juíza, o sentido da frase é atualíssimo: diz respeito à frequente omissão das pessoas justas e honestas diante das manifestações de violência e de corrupção que se multiplicam em nossos dias e que, felizmente, têm chegado ao conhecimento público e vêm sendo investigadas e punidas. A frase propõe uma ética atuante, cujos valores se materializem em reação efetiva, em gestos de repúdio e medidas de combate à barbárie moral. Em outras palavras: que a desesperança e o silêncio não tomem conta daqueles que pautam sua vida por princípios de dignidade.
Como não concordar com a oportunidade da frase? Normalmente, a indignação se reduz a conversas privadas, a comentários pessoais, não indo além de um mero discurso ético. Se não transpõe o limite da queixa, a indignação é impotente, e seu efeito é nenhum; mas se ela se converte em gesto público, objetivamente dirigido contra a arrogância acanalhada, alcança a dimensão da prática social e política, e gera consequências.
A frase lembra-nos que não costuma haver qualquer hesitação entre aqueles que se decidem pela desonestidade e egoísmo. Seus atos revelam iniciativa e astúcia, facilitadas pela total ausência de compromisso com o interesse público. Realmente, a falta de escrúpulo aplaina o caminho de quem não confronta o justo e o injusto; por outro lado, muitas vezes faltam coragem e iniciativa aos homens que conhecem e mantém viva a diferença entre um e outro. Pois que estes a deixem clara, e não abram mão de reagir contra quem a ignore.
A inação dos justos é tudo o que os contraventores e criminosos precisam para continuar operando. A cada vez que se propagam frases como “Os políticos são todos iguais”, “Brasileiro é assim mesmo”, “Este país não tem jeito”, promove-se a resignação diante dos descalabros. Quem vê a barbárie como uma fatalidade torna-se, ainda que não o queira, seu cúmplice silencioso.
(Aristides Villamar)
1- A frase de Disraeli, tal como é entendida e desenvolvida no texto, reporta-se à necessidade de que:

a- os homens de bem e os canalhas se congracem na mesma audácia.
b- a intempestividade dos homens honestos supere a dos desonestos.
c- a ousadia dos bons cidadãos não fique atrás da dos patifes.
d- o atrevimento dos desclassificados coíba o dos justos.
e- os cidadãos desonestos e os meliantes distingam entre o bem e o mal.

2- Atente para as seguintes afirmações:

I- Às escandalosas práticas dos canalhas deve corresponder uma reação objetiva, que tenha envergadura social e peso político.
II- Os homens de virtude não confrontam o que é justo e o que é injusto porque sabem relativizar o valor do bem e o do mal.
III- Do quarto parágrafo depreende-se que certas frases do senso comum induzem à complacência com as ações mais nefastas.

Em relação ao texto, está correto o que se afirma em:

a- I e II, somente.
b- I e III, somente.
c- II e III, somente.
d- III, somente.
e- I, II, III.

3- Considerando-se o contexto, as expressões:

a- frequente omissão e ética atuante referem-se a distintas condutas, atinentes aos homens de bem.
b- Barbárie moral e princípios de dignidade são análogas, e referem-se aos homens indignos.
c- Inação dos justos e frequente omissão estabelecem entre si a oposição que se verifica entre os justos e os canalhas.
d- Dimensão da prática social e política e a arrogância acanalhada representam, respectivamente, uma causa e seu efeito.
e- Iniciativa e astúcia e cúmplice silencioso referem-se aos contraventores e aos criminosos.

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