domingo, 23 de agosto de 2009

ENEM - GEOGRAFIA - AULA 02 - Profª. Gisele

AULA 2 PARA DIA 26/08/09

ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones

Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego






O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é com­plexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e conti­nentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do pla­neta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.

Cronologia

Para explicar as causas da crise, pode­mos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.

2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros pra­ticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas tam­bém tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.



[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, con­tínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que aca­ba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].

Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colo­cam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]

O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.

Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava con­centrado numa camada chamada de "pri­me", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pe­sam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos mui­tos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a






AULA 2 PARA DIA 26/08/09

ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones

Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego






O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é com­plexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e conti­nentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do pla­neta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.

Cronologia

Para explicar as causas da crise, pode­mos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.

2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros pra­ticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas tam­bém tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.



[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, con­tínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que aca­ba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].

Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colo­cam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]

O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.

Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava con­centrado numa camada chamada de "pri­me", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pe­sam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos mui­tos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a



AULA 2 PARA DIA 26/08/09

ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones

Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego






O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é com­plexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e conti­nentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do pla­neta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.

Cronologia

Para explicar as causas da crise, pode­mos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.

2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros pra­ticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas tam­bém tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.



[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, con­tínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que aca­ba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].

Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colo­cam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]

O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.

Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava con­centrado numa camada chamada de "pri­me", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pe­sam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos mui­tos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a





AULA 2 PARA DIA 26/08/09
ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego





O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é com-plexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e conti-nentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do pla-neta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, pode¬mos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros pra-ticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas tam¬bém tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.

[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, con-tínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que aca-ba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colo¬cam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava con-centrado numa camada chamada de "pri-me", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pe-sam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos mui¬tos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a












expansão no país da cons-trução civil e do mercado imobiliário. Para que os clientes "subprime" pudessem con¬tratar esses empréstimos com prestações mais reduzidas, que fossem mais fáceis de ser pagas, os financiamentos chegavam a ser de até 30 anos. Durante o período em que os juros ficaram baixos, esse meca-nismo funcionou bem. Isso ocorreu de 2001 a 2004, com a taxa básica de juros norte-americana variando num patamar baixo, entre 1,75% e 1% ao ano.
2002/2003 Os empréstimos imobiliários foram se multiplicando e atingindo grande volume financeiro. Com as prestações sendo pagas, a cada mês, essas operações se tornaram bastante lucrativas para ban¬cos e empresas de crédito imobiliário. Além disso, elas criavam fundos para os bancos emitirem e negociarem títulos no mercado financeiro, oferecendo como garantia as prestações a ser pagas (por até 30 anos) dos empréstimos "subprime". A aplicação de modernos recursos de enge-nharia financeira levou ao surgimento de uma "bolha especulativa": tomando como base os títulos negociados, as instituições financeiras emitem mais títulos, que são reunidos em carteiras, gerando novos títu¬los, e o valor total dos negócios vão sendo multiplicados várias vezes.
Com a ampliação do crédito imobiliário, cresceu a procura - em linguagem econômica: aumentou a demanda - por casas e apartamentos, fazendo com que os imóveis se valorizassem. As aplicações na construção civil também se tornaram ótimo negócio para investidores, atraindo capitais do mundo todo e ajudando a movimentar o mercado norte-americano.

A elevação dos juros em 2004
torna mais caras as prestações de imóveis e dificulta os pagamentos

2004 A economia norte-americana passa a registrar sinais de inflação. Uma das fontes da inflação é o endividamento vertiginoso do Estado norte-americano, graças, sobretudo, ao corte nos impostos das rendas mais altas - que havia sido feito pelo presidente Bush para impulsionar a economia - e aos gastos astronômicos com a "guerra ao terror", após 11 de setembro de 2001, principalmente com o envio de tropas ao Afeganistão (a partir de 2001) e ao Iraque (2003).
Para tentar combater a inflação, o Fed co¬meçou a elevar a taxa básica de juros a partir de outubro de 2004. Outro motivo para aumentar os juros é incentivar a procura mundial por títulos em dólar, buscando frear a queda da moeda norte-americana no mer¬cado internacional. Uma das conseqüências da subida dos juros, porém, é que o valor das prestações dos empréstimos imobiliários (atreladas à taxa de juros) passou a subir cada vez mais para o cidadão comum.
2006-2007 Entre junho de 2006 e agosto de 2007, a taxa de juros ficou em 5,25% ao ano, até cinco vezes maior que a do perío¬do anterior. Com as prestações mais caras, uma parte crescente dos compradores não conseguiu mais pagá-las. Acontece que, quando se faz um empréstimo imobiliário, a garantia é o próprio imóvel comprado. Assim, os bancos começaram a tomar de volta judicialmente os imóveis de quem parou de pagá-los, promovendo despejos dramáticos por todo o pais e recolocando casas e apartamentos à venda. O aumento súbito da oferta, somado ao encarecimento dos empréstimos, derrubou o preço dos imóveis. Como muitos empréstimos dei¬xaram de ser pagos, e o valor dos imóveis dados como garantia despencou, os títulos com base nos empréstimos perderam valor rapidamente, causando grandes prejuízos a bancos e a empresas imobiliárias.
O resultado foi um efeito dominó, cha¬mado de "crise subprime", que estourou nas bolsas de valores em julho de 2007: milhões de pessoas perderam sua moradia ou estão ameaçadas de perdê-la, bancos e

financeiras ficaram sem condições de conceder novos empréstimos, e a construção civil entrou em
um estado de virtual paralisia. Como os pa¬péis imobiliários faziam parte do patrimônio de grande parte das instituições financeiras, havia forte suspeita sobre a saúde econômica de boa parcela delas, e as bolsas de valores despencaram no mundo todo.
Para evitar uma quebra mundial das bolsas e garantir que o crédito continu¬asse a circular, o Fed e os bancos centrais de outros países desenvolvidos injetaram, em agosto de 2007,400 bilhões de dinhei¬ro público nos mercados monetários. Na prática, passaram a fazer empréstimos de curto prazo para que os bancos pudessem tocar seu dia-a-dia. Antes da crise, os ban¬cos emprestavam entre si de acordo com as necessidades. Com a crescente desconfiança, crédito secou, e os governos tive¬ram de colocar dinheiro. Os acon¬tecimentos têm a ver com a própria origem da palavra crédito: creditum
em latim significa crença, confiança. Se não há confiança, falta crédito.
2008 Uma primeira conseqüência da crise dos "subprime" foi que uma quantidade gigantesca de dinheiro que estava investi¬do em títulos imobiliários migrou para as commodities, ou seja, para matérias-primas, como grãos (milho, trigo, soja), com cotações fixadas para compra e venda em bolsas de valores. Explicando: tem gente que investe o dinheiro em papéis emitidos por empresas, o que é semelhante a emprestar dinheiro às empresas para que possam fazer negócios, com a garantia de que, depois, os bons resul¬tados sejam divididos. Assim, quando o setor de imóveis parou, pareceu uma boa opção para milhares de investidores os fundos de companhias que compram e vendem commodities - que já vinham apresentando bons resultados em anos anteriores. J
O aumento da procura por esse setor provocou uma alta na cotação internacional dos grãos. Esse foi um dos fatores para o encarecimento dos cereais - base da alimentação da população mundial -, o que levou






mais de 20 nações pobres a enfrentar uma crise alimentar no primeiro semestre de 2008. Em sua maioria, são paí¬ses que dependem de ajuda externa para garantir alimentos para a população, e, com os preços mais altos, o auxílio de fora não bastou. Em 13 nações, como Haiti, Costa do Marfim e Indonésia, a alta de preços e a falta de géneros alimentícios provocaram rebeliões e protestos. O próprio desenrolar da crise financeira, nos meses seguintes, derrubou o preço dos alimentos.
Um novo abalo ocorreu em março de 2008, quando o Bear Stearns, o quinto maior banco de investimentos dos EUA, começou a dar sinais de colapso. O Fed coordenou sua venda para o megabanco JP Morgan, abrindo uma linha emergencial de crédito de até 200 bilhões de dólares para instituições em dificuldades. O medo dos investidores agravou a situação dos bancos e provocou uma nova queda mundial nas bolsas de valo¬res. No início de setembro, o governo Bush é levado a assumir totalmente duas gigantes norte-americanas de crédito imobiliário, a Freddie Mac e a Fannie Mae.

Crise aberta
O estopim da atual fase da crise ocorreu em 15 de setembro de 2008, com a quebra do quarto maior banco de investimentos norte-americano, o Lehman Brothers - ins¬tituição tradicional, com 158 anos, que havia investido fortemente em títulos ligados aos empréstimos "subprime". Em cerca de um ano, o valor de suas ações já havia despencado 95%. A quebra do Lehman - que não recebeu ajuda estatal - afetou diretamente outros bancos, fundos de pensão e empresas ligadas a ele nos EUA e no exterior. Mais amplamente, abalou todo o mercado mun¬dial, pois havia o medo de que outros bancos tivessem o mesmo destino. O mercado de empréstimos em dólar parou totalmente.
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Diante dos riscos ao mercado financeiro global - que, para funcionar, depende da credibilidade para que os compromissos sejam cumpridos -, os governos das principais potências decidiram intervir de forma inédita, colocando trilhões de dólares de dinheiro público para auxiliar maciçamente as empresas em dificuldades. Isso foi feito pelos governos dos EUA, de países europeus e do Japão, entre outros, incluindo o brasileiro. Já no dia seguinte à concordata do Lehman, o Fed emprestou 85 bilhões de dólares à AIG - a maior em¬presa mundial do setor de seguros - para evitar uma nova quebra.
Para tentar barrar o efeito dominó e reverter as conseqüências da crise, o au¬xílio oficial a bancos e empresas atingiu o patamar de trilhões de dólares nos meses seguintes. O motivo para isso é basicamente o seguinte: uma parte significativa do patrimônio dessas instituições financeiras são títulos (que equivalem, em última análise, a obrigações a ser pagas em di¬nheiro), e, quando há desconfiança, muita gente corre para resgatar seu dinheiro no banco; mas uma corrida bancária pode provocar uma onda de falências (quando as empresas não conseguem mais pagar suas dívidas e são obrigadas a fechar as portas). Ao injetarem dinheiro nas insti¬tuições, para que possam reembolsar parte de seus clientes e pagar suas dívidas mais urgentes, os governos tentam evitar uma maré de empresas quebradas.


Diante da situação, os governos tomaram três medidas básicas: emprestar dinheiro às instituições em dificuldades; estatizar as empresas com risco de falência; e, para evitar uma corrida bancária, garantir os depósitos feitos pelos clientes dos bancos. Paul Krugman, renomado economista norte-americano, defende a ajuda oficial em artigo publicado no The New York Ti¬mes no fim de fevereiro de 2009: "Alguns grandes bancos estão perigosamente perto do abismo - na verdade, j á teriam quebrado se os investidores não esperassem um so-corro do governo, caso fosse necessário. (...) Bancos devem ser socorridos. O colapso do Lehman Brothers quase destruiu o sistema financeiro, e não podemos arriscar a que instituições muito maiores como Citigroup; ou Bank of America implodam".

Exportadores perdem em apostas cambiais
Assim que a crise financeira global se agravou, em setembro de 2008, três gran¬des empresas exportadoras brasileiras -Votorantim, Aracruz e Sadia - anunciaram perdas bilionárias. A mudança brusca no câmbio, com o dólar se valorizando rapida¬mente diante do real, após anos de desvalo¬rização, fez com que uma aposta arriscada na alta do real resultasse em grande preju¬ízo. Para entender: no mercado futuro de câmbio (troca de moedas), você pode fazer um contrato comprometendo-se, num de-terminado prazo ã frente, a comprar ou a vender dólares numa certa cotação. Já que o valor não pode ser mudado, a alta ou a baixa da moeda faz um dos lados do negócio ganhar e o outro perder.

Como os exportadores brasileiros lucram mais quando o dólar está alto (pois suas mercadorias passam a valer mais no mercado mundial), essas empresas passaram a usar uma espécie de seguro financeiro para se proteger de um cenário desfavorável com contratos que apostam na manutenção do dólar em baixa (e aí, supostamente, ganha-riam de um jeito ou de outro: com os contra¬tos, no dólar baixo; ou com suas vendas, no dólaralto).Masoque era originalmente uma operação para se proteger foi utilizado por muitas companhias como uma aposta espe¬culativa na desvalorização do dólar. Como, a partir do agravamento da crise, o dólar se valorizou tanto e tão rápido ante o real, sem que ninguém pudesse prever, as operações especulativas com o câmbio - que prometiam ganhos enormes para o dólar baixo - resul¬taram em uma perda gigantesca.
O grupo Votorantim reconheceu um prejuí¬zo de 2,2 bilhões de reais com a liquidação de suas aplicações em papéis chamados derivativos. Fizeram o mesmo a Sadia, uma das principais indústrias brasileiras de ali¬mentos, e a Aracruz Celulose. No caso da primeira, o prejuízo foi de 760 milhões de reais. No da segunda, cerca de 2,5 bilhões de reais. Além dessas perdas, como conseqüência imediata da situação, a credibilidade das empresas exportadoras foi duramente abalada, e o valor de suas ações despencou. Também sofreram grandes perdas muitas companhias médias e pequenas, que haviam feito empréstimos vinculados ao câmbio.















































Uma recessão atinge hoje as economias dos Estados Unidos, do Japão e de países da União Europeia
Até agora, ninguém sabe ao certo o valor total dos títulos emitidos com base nos empréstimos imobi- liários. Um fato é patente: ninguém mais quer comprá- los. Por essa razão é que se mantém a forte desconfiança
entre os investidores em relação à saúde financeira dos bancos - incluindo os maiores do mercado -, pelo temor de que continuem contando como parte de seu patrimônio grande volume desses títulos, que, no fim das contas, podem não ter valor algum.
Recessão
O mercado mundial é uma arena em que os grandes agentes - governos, mul¬tinacionais, megabancos - exercem uma influência importante, mas que, na verdade, ninguém controla. E, para se manter em marcha, é preciso que mercadorias sejam produzidas, que as pessoas as comprem, que haja empréstimos financeiros, e os de¬vedores os paguem, e assim por diante.
O aprofundamento da crise depois de setembro provocou algo como um mare¬moto global, mas, em meio ao aparente caos, há uma série de fatos que podemos destacar. As principais conseqüências da crise são as seguintes:
- falta de crédito: a quebra do Lehman atingiu fortemente o sistema financeiro. De imediato, os bancos deixaram de em¬prestar dinheiro (ou seja, de dar crédito). Isso paralisa um dos motores da economia, pois tanto empresas quanto consumidores precisam de crédito para suas atividades econômicas cotidianas. O crédito, que já vinha escasso, piorou muito. Do ponto de vista dos principais governos do mundo, um importante motivo para a ajuda estatal, além de salvar os bancos, pura e simplesmente, é restaurar sua capacidade de fazer empréstimos - pois, sem o financiamento dos bancos à produção, é difícil a retomada do crescimento econômico.


- recessão: a falta de crédito empurra a economia global e a de cada país para uma recessão, ou seja, para a redução da pro¬dução nacional. A situação ideal é que a atívidade econômica das nações cresça, pois elas produzem mais e ficam mais ricas. Isso se mede pela variação do Produto Interno Bruto (PIB), tudo o que um país produz em um ano. Quando a economia cresce mais rápido que a população, amplia-se o PIB por habitante. Vivemos um momento no qual a atívidade econômica em diversos países - como os EUA, o Japão e vários da União Europeia - está se contraindo e a produção, encolhendo. Isso reduz a riqueza e leva os países a dificuldades.
- desemprego: a redução da atívidade tende a levar ao aumento do desemprego, embora não seja uma coisa automática. Mas, com o faturamento das empresas em queda, uma das medidas que os empresários adotam
para cortar custos é demitir funcionários. Isso provoca redução da renda dos consu¬midores e prejudica seu poder de compra, reforçando a paralisia do mercado.
Considerando todos esses aspectos, os principais agentes econômicos buscaram reagir à crise. Cerca de um mês e meio após a quebra do Lehman, os governos já haviam gastado cerca de 7 trilhões de dólares - bem mais de 10% do PIB do mundo - para salvar bancos, de acordo com contas feitas pelo banco central britânico. Além de injetarem dinheiro, as autoridades econômicas de vários países optaram por reduzir drasticamente as taxas de juro de forma coordenada, para estimular as economias. Nos EUA, as taxas desceram a 0%; no Reino Unido, caí-ram para o nível mais baixo em 50 anos; e, na China, houve o maior corte de juros em 11 anos, chegando a 5,85% ao ano.
Apesar das medidas, 2008 entrou para a história dos Estados Unidos como o pior para o mercado de trabalho desde 1945, quando acabou a II Guerra Mundial. No ano passado houve um corte de 2,6 milhões de empregos (veja o gráfico 1).







BRASIL
Logo após a deflagração da crise, havia quem previsse que os países emergentes como Brasil, China, Federação Russa e índia ficariam "descolados" da tormenta, o que não ocorreu - mais um exemplo de que, no mercado globalizado, tudo é interligado. A economia chinesa, que vinha crescendo aci¬ma de 10% ao ano, passou a crescer menos. A desaceleração ocorreu basicamente em razão da queda nas exportações e de inves¬timentos menores no setor imobiliário.
No Brasil, houve queda nas exportações e nas importações, indicando uma desaceleração geral da economia nacional. Várias empresas perderam muito em aplicações ar¬riscadas no mercado financeiro (veja o boxe Exportadores perdem em apostas cambiais). Apesar de ter diversificado seus negócios no exterior, o país ainda tem como principal parceiro comercial os EUA.
Outro dado que mostra a chegada da tormenta ao Brasil foi o recuo na produção da indústria brasileira. Em dezembro de 2008 houve uma retração de 14,5% em comparação com dezembro do ano anterior (veja o gráfico 2) - ainda assim, no ano inteiro, a indústria manteve um cres-cimento de 3,1% em relação a 2007.
Algumas das medidas tomadas pelo go¬verno brasileiro são a redução nos depósi¬tos compulsórios (a parte dos recursos dos bancos que tem de ser depositada no banco central), a fim de aumentar o dinheiro para o crédito; a liberação de 7 bilhões de reais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para ampliar os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), banco público que apoia o setor produtivo; a liberação de 5 bilhões de reais para financiar as exporta¬ções; destinação de 5,5 bilhões de reais ao crédito rural, para garantir o plantio, além de o Banco do Brasil ter reservado 5 bilhões de reais para a agricultura; e um programa de financiamento de capital de giro para as construtoras. Diferentemente de outros países, porém, as autoridades econômicas brasileiras continuam a manter os juros altos, mesmo com a redução. Em fevereiro, os juros básicos fixados pelo Banco Central (a taxa Selic) estavam em 12,75% ao ano.










Resumo - Crise econômica

SUBPRIME Nos Estados Unidos, cha¬mam-se de "prime" as pessoas com alto poder aquisitivo e boas condições para quitar financiamentos. Os clien¬tes "subprime" são uma camada com menor poder aquisitivo e, por isso, com mais dificuldade para pagar empréstimos. Num período de juros baixos. de 2001 a 2004, os"subprime" receberam muitos empréstimos para a compra de imóveis. Com a alta posterior dos juros, as prestações ficaram mais caras e muitos deixaram de pagá-la. A queda no preço dos imóveis e dos títulos emitidos com base nos empréstimos subprime está na origem da atual crise econômica.
TAXA DE JUROS Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. A taxa básica de juros é fixada pelo banco central de cada país. Quando o governo derruba esse índice, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, tornando os empréstimos mais baratos, o que estimula os consumidores a com¬prar mais e as empresas a produzir. Os bancos determinam suas taxas de juro livremente, mas partem da taxa básica de juros e acrescentam um tanto. Boa parte do lucro dos bancos sai dos juros pagos pelos clientes.
INFLAÇÃO É um aumento generalizado dos preços, o que provoca uma redução do poder de compra da moeda. Com a inflação, o dinheiro perde valor, tornando necessária uma quantia maior para adquirires mesmos produtos.
COMMODITIES O termo é usado co¬mo referência no mercado financeiro para os negócios internacionais com matérias-primas, como combustíveis, minerais e produtos agrícolas.
RECESSÃO É a redução da produção nacional, ou seja, a diminuição do Produto Interno Bruto (PIB). Em um momento de recessão, a produção di¬minui, reduzindo a renda e levando os países a dificuldades.








Saiu na imprensa
CRISE ECONÔMICA MUNDIAL TAMBÉM ASSOLA A NBA
A crise econômica mundial também assolou a NBA [a liga de basquete dos Estados Unidos].
Com faturamento em baixa, 15 dos 30 times da liga norte-americana de basquete se candidatam a um empréstimo oferecido pelo seu comando central, com juros muito acima dos praticados antes do estouro da crise, ainda no ano passado.
Serão ao todo USS175 milhões (cerca de RS 408 milhões) em caráter quase emergencial. O dinheiro será liberado antes do final do mês, segundo a liga.
Cada clube irá pagar até 8,27% de juros ao ano pelo empréstimo - operações similares no passado ficavam abaixo de 5%. Os executivos da NBA dizem que mais importante do que a taxa de juros é a liga conseguir dinheiro
para repassar aos times, em um momento que o crédito sofre aperto geral e grandes restrições nos EUA.
O dinheiro será usado de forma livre pelas equipes, mas quem se interes¬sou tem como prioridade zerar os prejuízos de suas operações em um momento de queda livre na procura por ingressos - alguns ginásios não chegam a ter nem 50% de sua capa-cidade ocupada.
(...) Até times com boas chances nos playoffs procuram se desfazer de joga¬dores com altos salários. Foi o caso, por exemplo, do New Orleans Hornets, em que a troca por jogadores de pouca ex¬pressão mandou o pivô Tyson Chandler, seu melhor defensor, para o Oklahoma. Assim, deixou de pagar os USS 12,3 mi¬lhões anuais que Chandler recebe.
Folha de S.Paulo, 19/2/2009







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