sexta-feira, 14 de agosto de 2009

ENEM - BIOLOGIA - AULA 01 - Profª. Patrícia

A floresta no limite
Redução de chuvas elimina árvores de grande porte e diminui capacidade de absorção de carbono na Amazônia
Ricardo Zorzetto
Edição Impressa 156 - Fevereiro 2009
© Jennifer Balch/NCEAS

Verde vulnerável: fogo avança mais facilmente em meio à vegetação seca
Pesquisa FAPESP -
A paisagem que Paulo Brando encontrou em outubro passado na Floresta Nacional do Tapajós em Belterra, município no oeste do Pará, é bem distinta da que o encantou em sua primeira viagem à região seis anos atrás. As árvores mais altas e imponentes tinham muito menos folhas que o normal e já não se abraçavam no topo da floresta como antes. Várias estavam secas e mortas e por entre os vãos da copa deixavam espiar o céu. Quase sempre inacessíveis a quem caminha pela mata, os raios de sol chegavam à camada de folhas no solo, deixando-a mais seca e propensa a pegar fogo. Felizmente a transformação observada pelo engenheiro florestal paulista se restringe – ao menos por enquanto – a uma pequena área da Amazônia que na última década vem servindo de laboratório natural para pesquisadores brasileiros e norte-americanos interessados em descobrir o que pode acontecer com a mais vasta floresta tropical do mundo caso, como previsto, a temperatura do planeta continue aumentando e as chuvas diminuam na região.
No interior dessa reserva ambiental às margens do rio Tapajós, a 67 quilômetros ao sul de Santarém, Daniel Nepstad, ecólogo do Centro de Pesquisas Woods Hole, nos Estados Unidos, e fundador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), criou no final dos anos 1990 um elaborado experimento a céu aberto. Selecionou um hectare de vegetação nativa – o correspondente a um quarteirão com 100 metros de lado – no qual simulou secas intensas semelhantes às causadas de tempos em tempos no leste da Amazônia pelo El Niño, o aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico.
Durante cinco estações chuvosas seguidas, cerca de 30 pesquisadores e auxiliares da equipe de Nepstad instalaram um pouco acima do solo 5.660 painéis plásticos de 3 metros de comprimento por 0,5 metro de largura, recolhidos ao final de cada período de chuvas. Como uma espécie de guarda-chuva sobre a floresta, os painéis desviavam as águas vindas do céu para um sistema de calhas que as conduziam para longe dali. Os efeitos desse experimento complexo e dispendioso – foram medidos gases emitidos para a atmosfera, umidade do solo, crescimento das plantas, entre outros fatores – começaram a se tornar mais claros recentemente com a publicação de artigos científicos detalhando os danos causados por cinco anos de uma seca experimental severa que reduziu de 35% a 40% o volume de água que chegava ao solo (o índice médio de chuvas na região de Santarém é de 2 mil milímetros por ano, concentrados de dezembro a junho).
Tornar impermeável à chuva o chão da floresta pode até parecer uma ideia extravagante. Mas não faltavam razões para seguir com o projeto. Modelos climáticos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estimam que algumas regiões da Amazônia podem ficar até oito graus mais quentes nas próximas décadas se o consumo de combustíveis derivados de petróleo e a derrubada e a queima de florestas no mundo seguirem no ritmo atual, elevando a concentração atmosférica de gás carbônico, o principal agente associado ao aquecimento e à transformação do clima do globo. Uma provável consequência desse aumento da temperatura é a alteração no regime de chuvas no planeta.
“Ainda não há um consenso sobre o que pode ocorrer com as chuvas na Amazônia”, explica Carlos Nobre, climatologista do Inpe e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão das Nações Unidas que analisa as evidências de alterações no clima da Terra. “Dos 23 modelos climáticos que fundamentaram o relatório de 2007 do IPCC, a maioria mostra uma tendência de redução entre 10% e 30% das chuvas na Amazônia, mas o restante indica a possibilidade de que permaneçam nos níveis atuais ou até aumentem”, diz Nobre, coordenador do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.










Extraido de : oglobo.globo.com/sp/

Ciência | Ecologia
Aves às pampas Green beef aproxima interesses de pecuaristas e biólogos no Sul
Carlos Fioravanti
Edição Impressa 156 - Fevereiro 2009
Pesquisa FAPESP -
© Adriano Becker/Save Brasil

Veste-amarelas, comuns em Bagé
Ornitólogos começaram a defender a pecuária e pecuaristas a valorizar animais silvestres em Bagé, no Rio Grande do Sul. “Aves e agronegócio podem conviver”, assegura o biólogo Pedro Develey, diretor de conservação da Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil). Ele começou a aproximar os dois grupos habitualmente distantes depois de participar de um levantamento que mostrou a riqueza de aves no Pampa, a paisagem típica do Sul do país, marcada por descampados cobertos por uma vegetação rala.

Em apenas três fazendas do município de Bagé ele e outros biólogos identificaram 144 espécies de aves, um terço do total estimado para todo o Pampa, incluindo a ema, a maior ave da América Latina, e assistiram a cenas raras, como um bando de 103 veste-amarelas (Xanthopsar flavus), de peito amarelo e asas pretas, voando sobre uma colina suave. Com base nesses dados, Develey e os 40 criadores de gado da Associação dos Produtores de Carne do Pampa da Campanha Meridional (Apropampa) encontraram uma linha de trabalho conjunta com ganhos recíprocos, o rótulo green beef, um conceito que concilia pecuária e preservação ambiental: na prática, bois crescendo em pastagens naturais, formadas por 106 tipos de gramíneas nativas, contando apenas as das três primeiras fazendas inventariadas.

“Uma fazenda com muitas espécies de aves é uma fazenda saudável, com menos pragas e menos gastos com herbicidas”, diz Develey. Em dezembro do ano passado, como resultado do primeiro encontro de criadores de gado em pastagens naturais do Pampa no Cone Sul, saiu o livro Aves do Pampa, um manual de identificação das aves mais comuns na região de Bagé, com parte dos resultados do inventário de espécies nas fazendas. Criada em 1999 pela bióloga Jaqueline Goerck como ramificação brasileira da BirdLife International, a Save Brasil adota estratégias de ação diferentes para cada lugar do Brasil em que atua, mobilizando também prefeitos, promotores, professores, artistas e estudantes. “Os projetos de conservação só dão certo quando as comunidades locais participam.”

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